A quercetina, amplamente presente em nossa dieta diária, tem sua estrutura química centrada em um núcleo de 3,5,7,3',4'-pentaidroxiflavona. Essa estrutura única confere-lhe notável atividade biológica e potencial antioxidante. Embora a ingestão diária média de quercetina pela dieta seja de aproximadamente 10 a 50 mg, sua baixa solubilidade em água e biodisponibilidade reduzida (geralmente inferior a 1%) limitam a plena expressão de seus benefícios à saúde em sua forma natural.
O envelhecimento é fundamentalmente um declínio progressivo das funções fisiológicas ao longo do tempo, envolvendo um processo biológico complexo impulsionado por múltiplos mecanismos, como estresse oxidativo, inflamação crônica e desequilíbrio da homeostase proteica. Nesse contexto, a quercetina demonstra um valor único no campo do antienvelhecimento graças aos seus mecanismos de ação multialvo e multivias.

Durante o metabolismo energético mitocondrial, as espécies reativas de oxigênio (ERO) são geradas continuamente. Essas moléculas altamente reativas agem como "estilhaços bioquímicos", atacando lipídios, proteínas e DNA dentro das células, resultando em declínio funcional e dano estrutural.Quercetinadesempenha um triplo papel na defesa antioxidante:
Eliminação Direta de Radicais Livres: Os grupos hidroxila fenólicos na estrutura da quercetina permitem que ela neutralize diretamente vários radicais livres, como os ânions superóxido e radicais hidroxila. Seu potencial redox a torna um doador de elétrons ideal, bloqueando efetivamente as reações em cadeia dos radicais livres.
Ativação das Redes Antioxidantes Endógenas: A quercetina exerce efeitos antioxidantes sistêmicos ao modular o eixo de sinalização Keap1/Nrf2/HO-1. Estudos mostraram que, em hepatócitos tratados com quercetina, a expressão da proteína Keap1 diminui em 14,29%, enquanto a expressão de Nrf2 e HO-1 aumenta em 8,00% e 6,90%, respectivamente. Isso potencializa a atividade das enzimas antioxidantes intrínsecas das células em até 1,8 vezes.
Proteção Mitocondrial Específica: Ao contrário de muitos antioxidantes que têm dificuldade em atravessar as membranas mitocondriais, a quercetina consegue atravessá-las, protegendo esta "usina de energia celular" contra danos oxidativos. Em células da pele, esse efeito protetor se manifesta na redução dos danos do fotoenvelhecimento causados pela radiação UV.

A inflamação crônica de baixo grau, denominada "inflamaging", é um fator crítico na degeneração tecidual. A quercetina demonstra precisão molecular na regulação da inflamação:
Inibição da Sinalização NF-κB: Como o "interruptor mestre" das respostas inflamatórias, a ativação aberrante do NF-κB leva à produção excessiva de fatores pró-inflamatórios, como TNF-α e IL-6. A quercetina bloqueia a ativação da quinase IκB (IKK), inibindo a translocação nuclear do NF-κB e, assim, reduzindo os níveis de mediadores inflamatórios.
Regulação das Metaloproteinases da Matriz (MMPs): No envelhecimento da pele, as MMPs ativadas pela inflamação degradam as fibras de colágeno e elastina. A quercetina suprime significativamente a expressão de MMP-1, MMP-3 e MMP-9, preservando a integridade da matriz dérmica. Experimentos mostram que fibroblastos da pele tratados com quercetina exibem síntese de colágeno notavelmente aumentada juntamente com atividade reduzida das MMPs.
Modulação dos Fatores SASP (Fenótipo Secretor Associado à Senescência): Os fatores SASP secretados por células senescentes podem induzir o envelhecimento em células vizinhas. Em pacientes com degeneração macular relacionada à idade (DMRI), a quercetina reduz a expressão de fatores SASP, como IL-6 e MMP9, em células do epitélio pigmentar da retina (EPR).
A capacidade reduzida de regeneração celular é um marco do envelhecimento. A quercetina promove a homeostase tecidual por meio dos seguintes mecanismos:

Depuração de Células Senescentes (Efeito Senolítico): A "terapia D+Q", combinando quercetina com o fármaco anticâncer dasatinibe, demonstrou a eliminação seletiva de células senescentes. Comparada aos controles, a pele de indivíduos idosos tratados com D+Q mostrou aumento da densidade de colágeno e supressão do SASP.
Restauração da Autofagia e da Função Lisossomal: A quercetina regula a acidificação lisossomal através do "eixo mTOR-TFEB-V-ATPase". Em modelos de DMRI, o tratamento com quercetina reduziu o pH lisossomal em 15%, diminuiu o acúmulo de lipofuscina em 60% e aumentou a razão GSH/GSSG em 2 vezes, melhorando significativamente a depuração de resíduos celulares.
Promoção da Regeneração do Colágeno: Em fibroblastos da pele, a quercetina ativa a via de sinalização MAPK, aumentando a expressão gênica do colágeno. Simultaneamente, inibe a via TGF-β/Smad para reduzir a degradação do colágeno, mantendo a integridade estrutural da pele por meio desse mecanismo duplo.
De um pigmento natural nas cascas de cebola a uma molécula estrela na vanguarda da pesquisa antienvelhecimento, a jornada científica da quercetina exemplifica a fusão perfeita entre natureza e tecnologia. Seus mecanismos antienvelhecimento multidimensionais — que abrangem efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios e citoprotetores — oferecem uma solução natural para os desafios globais do envelhecimento.
Com avanços nas áreas de nanotecnologia, biologia sintética e campos relacionados, a quercetina está superando as limitações de biodisponibilidade e evoluindo para maior eficiência, precisão e personalização.
Referências:
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